Procurando ligações entre música e literatura, a 18.ª edição do Cistermúsica percorre a história da música da Renascença aos nossos dias, abarcando os mais diversos géneros e formações no mais longo e ambicioso certame desde a criação do festival. Dos 16 concertos na programação principal, oito têm lugar no Mosteiro de Alcobaça, explorando espaços novos como o renovado claustro de D. Dinis (onde se farão dois concertos ao ar livre), ao mesmo tempo que a aposta na descentralização leva a música a um acrescido número de freguesias e de monumentos do concelho. Com formações e instrumentos inéditos no festival, uma aposta reforçada em jovens talentos e uma conjugação de reportórios raros e de obras de grande popularidade, incluindo várias estreias absolutas, o festival estende-se desta vez até ao final de Julho, aproveitando as noites agradáveis de Verão naquela que é também a edição mais internacional de sempre.
A 5.ª Sinfonia de Beethoven e o Adagietto da 5.ª Sinfonia de Mahler são os dois blockbusters desta edição, reunidos num concerto da Orquestra do Algarve que assinala os 150 anos do nascimento de Mahler e que inclui a estreia da lenda Santo Asinha para barítono e orquestra, baseada em poema de Frederico Lourenço, com música do autor destas linhas (19 de Junho). Outro concerto orquestral junta a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o actor Luís Miguel Cintra, conjugando também autores bem-amados do grande público (Gluck, Mendelssohn, Debussy, Ravel) e uma obra em estreia com ligações literárias, neste caso com música de Eurico Carrapatoso e texto de Alice Vieira.
Dois instrumentos têm destaque especial nesta edição: a flauta e a harpa, reunidos num recital de Nuno Inácio e Stéphanie Manzo (5 de Junho). A flautista Adriana Ferreira, vencedora em 2009 do Prémio de Interpretação do Estoril, traz-nos Don Giovanni de Mozart numa versão para flauta e trio de cordas da época do compositor (11 e 12 de Junho). Num divertido espectáculo especialmente dedicado a famílias, o consagrado flautista Trevor Wye – que orientará em Alcobaça o 1.º Masterclasse Internacional de Flauta Transversal – tocará nada menos que 60 flautas diferentes (20 de Junho). Quanto à harpa, além do realce que tem nos já mencionados concertos orquestrais, está presente no espectáculo que reune dois músicos alcobacenses de primeiro plano, o tubista Sérgio Carolino e o saxofonista Mário Marques, com diversas estreias absolutas (27 de Junho).
Mantendo uma das imagens de marca do Cistermúsica - a descoberta e a valorização do património musical português - temos a Serenata L'Angelica de João de Sousa Carvalho, jóia do reportório setecentista que permaneceu enterrada 230 anos, com libreto de Metastasio inspirado num episódio do Orlando Furioso de Ariosto, contando com um excelente grupo de cantores e dois grupos de música antiga sob a direcção de Pedro Castro (13 de Junho). Assinalando o centenário da República, um concerto do grupo Lusio Voce reune obras vocais e corais dos mais diversos compositores portugueses desse período (6 de Junho).
Entre as formações e os instrumentos inéditos no Cistermúsica, destaque para o London Brass Tentet, brilhante grupo de metais que vem de Inglaterra para encher de sons o Claustro de D. Diniz. O primeiro recital de guitarra do festival conta com um intérprete consagrado, o italiano Claudio Marcotulli (3 de Julho). Um ensemble de flautas de bisel e uma cantora, A Imagem da Melancolia, faz-nos regressar ao Renascimento percorrendo a rosa dos ventos da geografia, de afectos e dos elementos (4 de Julho).
Num ano em que o nosso país vizinho tem realce na programação, o concerto inaugural cabe ao catalão Quarteto Casals, um dos mais conceituados quartetos de cordas da actualidade, que o Cistermúsica revelou aos portugueses em 2004 e que regressa agora para tocar Smetana, Bartók e Britten (30 de Maio). O Sonor Ensemble, sexteto formado por membros da Orquestra Nacional de Espanha e dirigido por Luis Aguirre, apresenta um programa ibérico vai do século XVIII à actualidade e inclui canções de Garcia Lorca.
O regresso da companhia de dança CeDeCe ao Cistermúsica faz-se com o espectáculo Contos Dançados de Três Países, neste caso Croácia, Portugal e Canadá (26 de Junho). Em matéria de jovens talentos, o Quinteto À-Vent-Garde toca algumas das obras mais emblemáticas para quinteto de sopros (23-24 de Julho) e o pianista chinês Jue Wang, vencedor em 2008 do Concurso Internacional de Piano Santander Paloma O'Shea, assinala em recital o bicentenário do nascimento de Chopin e de Schumann (30 de Julho).
Em paralelo com a programação principal, o Cistermúsica Júnior acrescenta diversos concertos especialmente voltados para os mais pequenos, ao mesmo tempo que o Cistermúsica off traz alguns happenings ao espaço público da cidade e que um ciclo de cinema oferece adaptações célebres de obras literárias.
Ou seja, uma programação para todos os gostos. A escolha é sua.
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